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Escrito por José Joaquim

Ao lermos a entrevista de João Martorelli, presidente do Sport, ficamos na dúvida se esse habita o nosso planeta ou está em outro mundo, deixando bem claro que não conhece nada do clube mesmo dirigindo-o por quase quatro anos.
O rubro-negro da Ilha do Retiro é um dos poucos do Nordeste que tem potencialidade para o crescimento, mas as últimas gestões o trucidaram tanto na área esportiva como a patrimonial.
O Sport de hoje é um produto de uma gestão totalmente pessoal de Gustavo Dubeux, que tornou-se o seu dono, afastou alguns personagens do clube que poderiam dar a colaboração mais efetiva, deixando um legado que não pode ser comemorado.
O atual presidente é um herdeiro do desastre, deu continuidade a má gestão, e no início ainda continuava com a obsessão pela arena, que teria sido o fim do clube, desde que hoje só teríamos um buraco em todo o seu patrimônio.
Afirmar que o futebol do Sport ainda pensa no G4, que Oswaldo de Oliveira prestigia a base, entre outras coisas, é a certeza de que o Sport vem sendo dirigido pelo telefone, ou pela internet. G4 só em sonho de uma noite de verão, e aproveitamento da base temos um exemplo bem claro, Everton Felipe, que pouco tem sido aproveitado nos últimos jogos, e era o último dos moicanos.
Quem passa pela sede do clube verifica o abandono. As paredes que eram lavadas todos os anos estão sujas por conta da poluição. A parte que era pintada está escura. Vidros quebrados no salão social, um abandono total, que mostra de forma clara a situação a que esse foi relegado.
O Sport é totalmente terceirizado. Nada lhe pertence e sim aos que o arrendaram. As famílias há muito que não o frequentam, e isso é grave para a formação de uma nova geração para que possa dirigi-lo no futuro.
O mais grave de tudo é a apatia dos rubros-negros que presenciam os problemas do seu clube e não reagem. Se calam, e quem cala consente, embora os torcedores já começaram a abandona-lo deixando os estádios vazios.
Os caminhos do Sport serão tortuosos, embora seja uma entidade viável falta-lhe gestores para que possam conduzi-lo por uma estrada sem buracos ou curvas perigosas, e trazê-lo de volta aos seus grandes dias.
Na realidade hoje o clube é um LEÃO ADORMECIDO na busca de um comando que possa acorda-lo, desde que o atual não conquistou nada.
LAMENTÁVEL.
 
Escrito por José Joaquim

Nenhum dos vinte clubes que disputam o Brasileiro, sediados em oito estados, somou uma renda líquida maior do que as receitas recebidas pelas federações estaduais, por conta da taxa de 5% que é cobrada da renda bruta dos jogos.
Trata-se de uma inversão de valores. Os que colocam os jogadores em campo, que pagam suas folhas salariais, abastecem os cofres de quem não faz nada. As entidades locais que auxiliam a CBF nada gastam, cobram tudo em separado, os funcionários, delegados de jogo e hoje a novidade o responsável pelo ridículo protocolo, uma cópia tupiniquim do futebol europeu. A sua parte vem do movimento bruto.
As oito federações abocanharam em 22 rodadas nada mais, nada menos, do que R$ 18.832.165, sendo que a maior parte ficou com São Paulo, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro. Lemos uma frase no jornal O Tempo de Minas Gerais, que retrata bem esse artigo, quando textualiza: ¨O futebol é um mar de grana, principalmente nas mãos e nos bolsos dos dirigentes das entidades que deveriam ser meras gerenciadoras das competições, mas agem como donas¨.
Os clubes que são os donos ficam com muito pouco do global. Somando-se o total liquido arrecadado por 13 clubes disputantes do Brasileiro nesses quatro meses, esse não chega próximo aos valores recebidos pelas federações às suas custas. 
A situação é tão grave que Botafogo, Atlético-MG e América MG contemplam rendas líquidas negativas, ou seja, tiveram prejuízos em seus jogos. O Coritiba arrecadou em 11 jogos como mandante R$ 148.377,59, com uma média de R$ 13.488,87 por partida, que não paga as despesas de concentração.
Por conta disso se entregam aos direitos de transmissão, as antecipações de receitas, como as tábuas salvadoras, e aceitam as propostas de forma imediata, no sistema matar ou morrer.
Não tem nada melhor do que ser dirigente da Confederação e Federações. Deitam e rolam com bons salários, mordomias, e quando entram se recusam a sair. A mamata é muito boa.
Enquanto isso o futebol definha, o Brasileiro com uma média de público um pouco mais de 14 mil torcedores, bem menor do que aqueles das Segundas Divisões da Inglaterra e Alemanha, e os clubes vendendo os seus poucos craques para sobreviverem.
O maior exemplo de como é bom participar do sistema, vem de Edu Gaspar, coordenador da seleção do Circo, que em entrevista fez elogios a tudo e a todos da entidade, do porteiro ao presidente que não sai do Brasil com medo do FBI. Sentiu o bom gosto da mamata.
A imprensa Pokemon da parte de baixo do mapa deixa tudo isso passar despercebido, e está mais preocupada com as louvações a Neymar e Tite. São grotescos.
Nós merecemos o que temos.

 

Escrito por José Joaquim

A sociedade brasileira é bem interessante. O Brasil é um país surrealista. Até o impeachment de uma presidente tem um jeitinho e transforma-se em meia boca, como aconteceu com uma decisão grotesca do Senado Federal ao votar pela continuidade dos direitos da afastada.
O surrealismo continua com diversos advogados defendendo no STF que a prisão de um condenado só poderá acontecer quando do último recurso, sob a alegação que os pobres irão sofrer. Nunca vimos tanta hipocrisia. Pobre não tem dinheiro para pagar a esses juristas e vai bater na cadeia de imediato. Os ricos corruptos tem como se defender, e mesmo condenados passam anos nas gavetas das diversas instâncias, vivendo como dantes, inclusive com o o mesmo modus operandi.
Apenas para avivar a mente dos Ministros do STF que estão analisando o assunto, existe um trabalho no Ministério da Justiça mostrando que a participação dos corruptos na população carcerária brasileira é de 0,2%, o que mostra de forma clara a impunidade reinante.
Mas vamos ao que nos interessa e o surrealismo no futebol é algo tão latente, com relação ao comportamento do torcedor, quando o comparamos com o eleitor. Não existe, na verdade, algo mais parecido entre essas duas vertentes, o que demonstra a falta de maturidade de nossa sociedade.
O torcedor é um apaixonado e não consegue vislumbrar o que acontece no entorno do seu clube. Basta uma contratação, uma vitória, tudo é esquecido, até mesmo os buracos encontrados na sua vida financeira.
Por sua vez, o eleitor não liga para a politica e para os políticos. Não pensam, nem comparam os candidatos. Os que recebem as benesses do setor marcham com esses, mesmo sabendo que esses muitas vezes embolsaram dinheiro público.
O torcedor se delicia com a conquista de um campeonato e não tem interesse em tomar conhecimento de que alguns dos envolvidos no processo não estão com interesses clubísticos e sim pessoais, que muitas vezes resultam no incremento de suas riquezas. Quando sócio, no processo eleitoral os apoiam fazendo que o ciclo vicioso continue.
O eleitor acredita no marketing promovido pelos profissionais que vendem um peixe podre, como um de alta qualidade, e fica satisfeito com qualquer benefício financeiro.
Trata-se de uma realidade social que acompanhamos há vários anos, e tais fatos tornam o torcedor e o eleitor como irmãos gêmeos do desligamento do processo politico já que são os seus principais participantes. O resultado da equação é a presença de um Del Nero e outros cartolas e de políticos corruptos nos diversos segmentos.
Por conta disso, tanto o futebol como a politica apodreceram no país.
Escrito por José Joaquim

O competente jornalista Claudemir Gomes publicou em seu blog uma análise perfeita sobre o futuro do Santa Cruz, relacionando-o a Copa Sul-Americana.
A vitória sobre o Sport na fase tupiniquim da competição classificou a equipe coral para a segunda fase, e com isso viagens mais longas e cansativas, que certamente irão influenciar na parte física dos atletas, que terão mais 16 rodadas do Brasileirão onde o clube hoje tem quase 90% de chances de ser rebaixado.
Na realidade nem o Sport ou o Santa Cruz teriam condições para o enfrentamento de uma outra competição, em especial por conta das classificações no Campeonato Brasileiro que não garantem as suas continuidades em 2017.
É muito bonito nossa imprensa festejar a classificação, sem analisar o que poderá acontecer no futuro, e que hoje é bem plausível, ou seja, a eliminação na Copa e o rebaixamento no Brasileiro.
O tricolor não tem uma equipe que possa sustentar tal demanda. Essa história de internacionalização é bonita quando se tem condições para tal, que não é o seu caso, e o ingresso nessa empreitada será o golpe final e o retorno a Série B, ficando sem o mel nem a cabaça.
O futebol é guiado pelos números, e os do time do Arruda são negativos. As estatísticas são bem claras. O time está na 19ª colocação. Nos últimos 18 pontos disputados conquistou apenas dois, inferior inclusive ao América-MG que somou cinco.
Na realidade uma gestão não pode seguir os ditames da paixão e sim da razão, e essa é bem cristalina, quando mostra que se continuar pensando na Sul-Americana o caminho da degola estará pavimentado e não terá retorno. Tudo na vida obedece a um projeto, e o do Santa Cruz deveria ter sido o da permanência na Série A, esquecendo outras oportunidades que poderão aparecer no futuro com uma situação bem melhor.
Insistir no erro é certamente colocar a última pá de terra no seu caixão.
Escrito por José Joaquim

Qual a razão da realização de um jogo entre dois clubes locais pela Copa Sul-Americana na Arena Pernambuco no horários das 22 horas?
Qual a razão de que tal jogo seja televisionado de forma direta para a praça local, motivando a presença dos torcedores em suas poltronas?
Qual a razão de que os cartolas aceitam essa imposição autofágica? A presença de apenas 6.570 torcedores no local demonstra claramente que algo de errado existe em tal processo.
Na realidade trata-se de uma autofagia programada. Jogar sem torcida é como um padre rezar uma missa sem fiéis. Afeta inclusive na qualidade do jogo. 
Óbvio que o horário das 20h seria o ideal, sem a presença da televisão que só olha para a sua grade de programação, e por uns pequenos trocados consegue trazer o acordo de clubes necessitados como os nossos.
Já temos um calendário suicida, já temos uma overdose de jogos nas telinhas, já temos um futebol de péssima qualidade, e pautar um evento no horário bacurau é certamente de uma maldade extrema, que é acobertada por todos os segmentos.
Sport e Santa Cruz em dois encontros por essa competição mequetrefe colocaram menos de 13 mil pessoas na Arena, o que mostra de forma clara o repúdio do torcedor ao sistema, ao horário programado, mesmo em um estádio de boa qualidade.
O futebol com exceção de alguns poucos clubes que motivam seus torcedores, que não chegam a cinco, está sendo trucidado por conta de uma falta de planejamento. O calendário é imbecil, feito por apedeutas. Luta contra as janelas de transferências, e somente nessa última 31 jogadores que atuavam no Brasileirão seguiram para o exterior, criando problemas para os clubes disputantes e reduzindo mais ainda a qualidade da competição que já é duvidosa.
Deixamos de analisar os esportes brasileiros por um bom período. Resolvemos por conta própria dar um tempo ao tempo e organizar um livro com vários artigos publicados. Voltamos e nada mudou no futebol nacional. A mediocridade reina, Del Nero ainda é presidente do Circo Brasileiro do Futebol, o sistema continua, poucos clubes se estruturaram para o futuro, os demais vivem em crise e no improviso o que não é novidade, desde que fazem parte de um sistema que reina em nosso país, corrompido, superado e que necessita em todos os seus setores de uma lavagem geral, que não será promovida com o tipo de gente que o comanda, pelo contrário farão de tudo para riscar do mapa o legado da Operação Lava-Jato que foi a única coisa boa que aconteceu nos últimos anos.
Somos todos culpados desde que permitimos que o sistema autofágico tomasse conta do país e em especial do futebol brasileiro. A reação do torcedor é unilateral e só acontece quando o seu clube vai mal, quando o problema maior é institucional. 
Chega de autofagia. Chega de cartolas superados e espertos. Precisamos mudar antes que a última pá de terra seja jogada no caixão com o cadáver do futebol.